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a moça e os cães

a moça é magricela
de negro sujo vestida
de sujo negro
lavada
cravada de ferros em todo o seu fado
na pele como na roupagem
na alma como no passaporte

infanta de si
peregrina
filha de algum amor
que volveu loucura
agora sem baptismo
não sabe dizer pai nem mãe

a miséria é a arte da vida
na urbe estrangeirada

com ela
sete cães a olham
com fome de lenhadores

ela não vê nem olha
eles não a vêem olhando

desejos de jantar nas oito bocas

a moça descansa cercada pela muralha de cães
não fala
eles não latem

Lisboa à tarde
nas portas de Santo Antão
barriguda de miséria
à hora da refeição

ferool

8 comentários:

Gleidston dias disse...

Contemporâneo a fala,e um belo poema na sua expressão,parabens.

Uma otima semana pra voce.

Abraço!

Sonia Schmorantz disse...

Talvez a nova semana tenha dificuldades, ainda assim haverá alegrias...
Talvez a nova semana tenha preocupações, ainda assim haverá soluções...
Talvez a nova semana traga alguns atritos, ainda assim trará o desafio do aprendizado do convívio...
Talvez não seja exatamente como a queremos, mas podemos nos surpreender e alegrar com o que nos trará.
Tomemos a nova semana com disposição de vivê-la do melhor jeito, de abraçar a parte feliz e de aprender com o que contrariar a nossa expectativa.
Tenhamos boa vontade com a nova semana e um sentimento de profunda gratidão à vida.
Um abraço

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO AMIGO... GOSTEI DO POEMA... UM ABRAÇO,
FERNANDINHA

ANTONIO CAMBETA disse...

"A MOÇA E OS CÃES" um poema lindissimo onde a parte social vivida nas grandes cidades se sobresai.
É forte e belo seu poema, meus sinceros parabéns, sáo palavras que revelam grande parte do nosso quotidiano, que bem precisa ser divulgado.

fernando oliveira disse...

Obrigado Gleidston, um incentivo à criação.

abraços

fernando

fernando oliveira disse...

Sonia, obrigada pelo comentário em jeito de passeio filosófico.

abraços

fernando

fernando oliveira disse...

Fernanda

Obrigada pelo teu comentário.
abraço

fernando

fernando oliveira disse...

é verdade Antonio, aquela situação não é que uma infima parte daquilo que um pensamento aflitivo com a - coisa social - vê, no caos urbano das cidades modernas, façamos viagens pelas rotas não-turisticas e veremos os montões de miséria.

abraços

fernando